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Sexta-feira, 21 de Abril de 2017

A TERRA DAS MORTES SOB ENCOMENDA

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De Parauapebas, o jovem Jeferson da Silva Conceição tinha por hábito andar sempre de dourado: cordões, anéis e pulseiras eram quase sempre parte do seu figurino. Na cabeça, o chapéu inseparável lhe rendeu o apelido de Cowboy. Pistoleiro, Jeferson ganhava a vida matando sob encomenda e foi durante muito tempo sinônimo de terror no sul do Pará.
Sua atuação na região do Complexo Divino Pai Eterno, em São Félix do Xingu, é conhecida por todos os entrevistados pela Pública. Ali, numa área pública de 9 mil hectares, 150 famílias de sem-terra disputam com fazendeiros a criação de um assentamento desde 2008.
Uma rápida busca no site do Tribunal de Justiça paraense retorna acusações de receptação, roubo, lesão corporal e homicídios contra Cowboy. Ao menos duas mortes, uma tentativa de assassinato, além de episódios de ameaça e tortura, ocorreram sob seu jugo em municípios localizados no sul do estado. Com sua prisão em julho de 2014, um pouco do submundo da pistolagem que assola o Complexo Pai Eterno veio à tona.

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Cowboy foi preso em 2014 depois de ter assaltado uma fazenda no município de Sapucaia. Ao periciarem o celular dele, os policiais se depararam com cenas de violência gravadas contra trabalhadores dentro do Complexo Divino Pai Eterno. Cowboy aparecia nas imagens junto de seu pai, Jaelson da Silva Conceição, seus comparsas no assalto que o levou à prisão, Maicon Barros e Marcos do Carmo, e alguns funcionários das fazendas do complexo.

Cowboy (à direita) e o parceiro presos em Xinguara (PA). (Foto: Polícia Civil de Xinguara)
Nas fotos, o pistoleiro posava com armamento pesado, como espingardas calibre .12 e pistolas Magnum .44. Torturas praticadas na área também estavam gravadas no celular. O agricultor Lourival Gonçalo de Sousa, o “Índio” foi um dos torturados.
Segundo seu relato à polícia, Cowboy e Maicon invadiram seu lote em abril de 2014. O primeiro teria gritado: “Polícia Civil! Eu sou delegado de Rondonópolis [município da região] e sou acostumado a limpar a fazenda de posseiros”. Índio correu, mas os pistoleiros atiraram até ele cair. Com cinco tiros no tórax, braço, pescoço e estilhaços que o atingiram na cabeça, sobreviveu para contar essa história.
Ele relata que os dois pistoleiros sacaram o celular antes de começar a torturá-lo. Um trecho do vídeo da tortura foi divulgado pela TV Record regional. Na imagem, Cowboy aponta uma arma longa (aparentemente uma espingarda calibre .12) para o agricultor e o chuta no chão. Índio diz que, enquanto Cowboy o torturava, perguntava quem havia atirado no comandante Carlão.
“Carlão” é o apelido de Eloir Rosa da Silva, ex-gerente de algumas fazendas do Complexo Divino Pai Eterno. Em depoimento à polícia, Eloir afirmou que se afastou da fazenda depois de ter sido baleado por sem-terra da área durante uma emboscada. Ouvidos pela Pública, os agricultores negaram o episódio.
Eloir já havia sido preso em 2011, durante a operação policial “Oração ao Divino Pai Eterno”, relatada na primeira parte da reportagem – A espera que sangra o Divino Pai Eterno. Segundo a polícia, Carlão fazia parte de uma quadrilha de pistoleiros. Além disso, é réu em vários processos de homicídio.
Durante as apurações do caso, a Polícia Civil de Xinguara ouviu de um vaqueiro do Complexo Divino Pai Eterno, que aparece nas imagens de violência flagradas no celular de Cowboy, que os homens nas fotos eram contratados para “expulsar os posseiros”.
Eles “até mesmo matavam alguns para amedrontá-los e saírem da fazenda (sic)”, diz parte do depoimento. O vaqueiro contou ainda que os pistoleiros foram contratados por Carlão num acordo que daria 100 alqueires da fazenda a Cowboy em troca do serviço.
Maicon, o parceiro, também receberia terras na área. Segundo a testemunha, os episódios de violência ocorreram na área da fazenda pertencente a Edson Coelho dos Santos, o “Cupim”, um dos latifundiários que disputam a terra com os acampados. Por fim, o depoimento diz que o avião que aparece nas fotos apreendidas pela polícia seria de Cupim. Além dele, o fazendeiro Bruno Peres teria pago os serviços de pistolagem.

 

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Jessé de Jesus Pinto, um dos pistoleiros contratados, também foi ouvido. Ele contou que foi convidado a ir à sede da fazenda de Cupim por um comparsa de Cowboy. Quando chegou, soube que estava lá para “expulsar posseiros da fazenda de Edson Cupim e Bruno Peres” e, para isso, recebeu uma espingarda calibre .12 e uma pistola das mãos de Cowboy. Segundo esse relato, Cowboy armou todos os pistoleiros e os orientou a retirar os posseiros da área “sob ameaça e tiros”. Jessé disse que as armas pertenciam aos fazendeiros e que eles lhe pagariam R$ 2.500,00 pelos serviços de pistolagem.
Em depoimento, um trabalhador torturado pelos pistoleiros afirmou ter ouvido Cowboy dizer que estava lá a mando dos mesmos fazendeiros da área: Bruno Peres e Edson Cupim.
Cowboy e os fazendeiros foram denunciados pelo Ministério Público. A ação ainda corre na 2ª Vara de Xinguara. Cupim chegou a ser preso preventivamente em uma operação da Polícia Civil, mas foi solto por insuficiência de provas. Houve um mandado nunca cumprido contra Bruno Peres de Lima.

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Amedrontar, torturar e matar


“Esses fazendeiros contratavam os pistoleiros e eles se armavam, tipo uma milícia, e ficavam na região vários dias. O objetivo era amedrontar, torturar e matar posseiros para afastar a ocupação da área”, afirmou à Pública José Orimaldo Farias, delegado da Polícia Civil de Xinguara.

Cowboy. Segundo depoimentos, o avião é de fazendeiros do Complexo (Reprodução TV Record Redenção)
Após as investigações, a Polícia Civil da cidade deflagrou em 2014 a operação “Lindoeste Caboclo” (Lindoeste é o nome de um dos distritos de São Félix próximos ao complexo) e prendeu seis pessoas suspeitas de ligação com o esquema de pistolagem.
Cowboy, que ficou alguns meses no presídio de Redenção, município do sul paraense, fugiu ao ser transferido para Belém. Na viagem de mais de 1.000 km estado adentro, ocorreu uma fuga pouco provável.

(Continua aqui: http://apublica.org/2016/10/a-terra-das-mortes-sob-encomenda/)

Etc e Tal às 16:36

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