Numa das nossas idas ao renovado (mas ainda não totalmente concluído) Mercado do Livramento, deparou-se-nos um grupo de franceses, junto a um lugar de venda de fruta, a solicitar informações sobre a história do mercado, por eles considerado “belle, très belle”, manifestando, particularmente, total fascínio pelos painéis de azulejos que enfeitam as paredes das entradas frontais.
Com completa disponibilidade, certa bonomia e razoável conhecimento, o jovem operador procurou esclarecer o grupo de turistas, indo ao ponto de o acompanhar durante bons minutos, fazendo, podemos dizer, as honras da casa.
Luís e Rogério Paixão, seu irmão, foram trabalhadores durante mais de seis anos na falida Mecânica Setubalense e viram o desemprego e o não recebimento de ordenados complicarem-lhes a vida pessoal e familiar. Mas havia que pôr pernas ao caminho e encetarem novo rumo: concorreram a um lugar vago de venda de fruta na nossa mais antiga e maior superfície comercial citadina e lá continuam, faz em Março próximo 25 anos, uma situação que o município setubalense deveria homenagear, não esquecendo outros que lá se encontram há tantos ou a mais anos…
Reinaugurado em Outubro do ano passado, contou com a presença das chamadas forças vivas da cidade e, segundo opiniões ouvidas na altura, a clientela não regateou elogios ao “novo” espaço, que sempre mereceu dos setubalenses acentuado carinho, havendo muita gente, como o conhecido actor “Manel Bola”, carismática figura da cidade, que não deixa passar um dia sem lá ir, nem que seja para dar um abraço aos amigos e saborear um tintol…
O antigo, segundo opinião de muita gente, não passava de um ultrapassado e caduco espaço de negócios, abarracado e feio, com muitos problemas de saneamento, de limpeza, armazenamento e higiene, deu lugar a uma área espaçosa, de boa circulação (se não começarem a pôr caixotes a impedir ou dificultar a passagem dos clientes, o que já se vem verificando…), e de visual moderno e atractivo. Os 150 empresários registados e os cerca de 500 postos de trabalho criados (sem contar com os trabalhadores camarários que lá desempenham funções), que são o motor deste mercado partilham o contentamento geral e estão, genericamente, agradados com as novas condições de trabalho, afirmando que “assim melhor servimos os nossos clientes”.
Luís Paixão, na foto, é um fervoroso adepto do renovado Livramento, obra que contou com uma comparticipação de 10% dos próprios comerciantes, cabendo à Câmara e ao QREN os restantes 90%, em partes iguais, mas gostaria de ver no mesmo implantado, “porque o mercado é história viva e cultura popular, genuína e verdadeira, que recebe diariamente centenas e centenas de pessoas”, uma loja tipo “turismo” onde os visitantes fossem informados, entre outras valências, da história e das estórias do edifício, e não só, e também gostaria de ver a funcionar uma loja de venda de produtos genuinamente setubalenses, dando como exemplo o doce de laranja, à semelhança da que o Município tem no edifício camarário.
E vai mais longe! Porque não aproveitar o mercado para eventos de teatro, música livre, exposições de arte, fazendo dos espaços comuns, um espaço eclético e original, hospedando actividades e eventos culturais variados, promovendo as artes, numa autêntica viagem de descoberta e imaginação?
(http://www.osetubalense.pt/noticia.asp?i
Ontem houve reunião ordinária na Câmara de Setúbal. Dos três vereadores do PS, dois, Maria do Carmo e António Caracol, sairam incólumes da contenta; o mesmo não se pode dizer do inefável e prazenteiro "vereador Boquinhas" que, mais uma vez e no momento exato em que abriu a boca para falar, fez espalhar pela assistência um sorriso maroto, talvez saboreando antecipadamente o que vinha dali, porquanto já é crença estabelecida que da boca deste vereador nunca se sabe a surpressa que nasce. Mas seja o que for, já ninguém o leva a sério... Desta vez resolveu abrir as hostilidades falando do Vitória Futebol Clube dando a entender que a presidente Meira andava em reuniões com cheiro a secretismo com o presidente do Vitória Futebol Clube, "e nós, do Partido Socialista, temos de estar informados". Pimba!, na altura certa levou nas orelhas pela afirmação. Foi, pela presidente, acusado de faltar à verdade, ameaçado de corte da palavra e confrontado com o fato de "aqui ninguém tem medo de si, eu não tenho, fale noutro tom". Dores Meira, a presidente, mostrou claramente quanto, politicamente falando, gosta deste vereador que se diz socialista, mas que foi a pior escolha que o PS Setúbal teve nestes 38 anos de democracia!!!
"Não é verdade que assim seja, e, por isso, cá estaremos sempre para recordar que ao PS falta legitimidade política, em especial em Setúbal, para atacar as opções políticas e orçamentais da Câmara Municipal." (...) "Rejeitamos, pois, quaisquer acusações de imoralismo orçamental ou outro, em particular todas as que venham do PS."
E termina o comunicado: "Ainda assim, não parámos; não nos deixámos vencer pelas dificuldades e muito menos nos deixaremos vencer pelo pouco rigor com que o PS, tantos anos depois, ainda continua a fazer más contas em Setúbal.".
Agora vamos esperar pela reação do PS, e a haver, pelo amor de deus, não deixem o "vereador Boquinhas" interferir...
Num qualquer dia passado, no clubinho do PSDbarraPPD, Setúbal, houve eleições para a liderança dos sociais não sei quê, entre dois candidatos: o castiço democrata Paulo Calado (este home não faz juz ao nome...) e o professor Justino Marques. O Justino perdeu por uma bagatela de votos... sinal mais do que evidente que nem tudo corre sobre rodas lá no clubinho e que o pessoal não atira foguetes nem anda aos beijinhos uns aos outros.
De qualquer forma, o Calado ganhou, tá ganho! Só que parece que a história não acaba aqui. No Jornal "O Setubalense", dias atrás, alguém assinou com um sintético J. A., um artigo de opinião onde se referia a Pedro Nunes, um apoiante do Justino, e que provocou a ira do visado.
Quem não se sente não é filho de boa gente, o Nunes é nortenho, carrago!, filho de boas famílias, até andou num colégio de padres até se pôr na alheta, tem pêlo na venta e divisas de capitão de comandos, é um dos fundadores do PPD cá da cidade, é livre de apoiar quem quiser e frequentar os locais que lhe der na gana, restaurantes ou sedes partidárias, e ainda se recorda dos engulhos que teve em 1974, quando isto por aqui não era um mar de rosas, era mais ambiente avermelhado, assim a atirar para a extrema esquerda, onde a moca e as pinchagens circulavam livres pela cidade, obrigando muita boa gente a ficar no conforto do lar, doce lar.
Em 2009, surgiu na comunicação social a hipótese do Bairro da Bela Vista ser desmantelado nos anos mais próximos, após o realojamento dos moradores, segundo declarações da presidente do município sadino, Dores Meira, havendo, inclusive, empresários interessados no negócio dos terrenos, situados numa zona muito atraente, com uma vista fabulosa para o rio Sado. Dava, pelos vistos, um complexo imobiliário com algum requinte…
Zona tristemente célebre por desacatos, desordens, incêndios, tiros, rusgas, os bairros que formam a Bela Vista são, mais do que um caso de polícia, um enorme problema social que muito tem a ver com a situação económica e social e as discriminações sociais dos seus habitantes.
As fotos que ilustram este texto pertencem a umas instalações por onde já passaram diversas instituições e que presentemente estão em completo abandono, e é só um exemplo, porque ao lado há mais andares vandalizados, com vidros partidos, portas arrombadas, caixilharias degradadas e fachadas sujas.
Entrada com portas arrombadas e total destruição no interior
Os moradores da rua Figueira Grande (as fotos foram lá tiradas), principalmente os que residem nestes prédios, garantem que os espaços têm servido para tudo, desde queima de papéis a sanitário e a “local para umas passas”, e que se sentem ameaçados por estes actos insensatos de vandalismo e selvajaria, que nada têm a ver com as suas vidas de trabalho, pondo em risco a saúde de crianças e de adultos, e alimentando um ninho de infecções e de bicharada: pulgas, baratas e mosquitos são os principais ocupantes destas áreas. Por isso se sentem irritados, tristes e assustados por esta destruição, a que a incúria camarária não deve ser alheia, segundo as opiniões de todos.
Não se compreende por que a Câmara Municipal de Setúbal, certamente conhecedora destes casos, não procede ao emparedamento de portas e janelas, a fim de evitar o seu uso indevido, já que parece não ter vontade e dinheiro em os recuperar, sossegando, assim, principalmente, os moradores à volta.
A página americana do Wikipedia saiu do ar a meia-noite de hoje (18), horário de Washington (EUA), em protesto contra a lei antipirataria que está sendo discutido no país. O protesto deve deixar o site fora do ar por 24 horas. Segundo Immy Wales, um dos fundadores do site, a manifestação deve atingir 25 milhões de pessoas no mundo.
“Por mais de uma década, nós gastamos milhões de horas construindo a maior enciclopédia da história humana. Agora, o Congresso dos EUA está considerando uma legislação que poderia prejudicar a internet livre e aberta. Por 24 horas, para aumentar a conscientização, estamos tirando a Wikipedia do ar”, diz o comunicado em sua home page.
Já o Google publicou, “Diga ao Congresso que não censure a internet”, em sua versão em inglês.
(fonte:http://msn.techguru.com.br/wikipedia-sai-d
Em palco:
Tributo ao poeta Victor Serra
Texto de Fernando Manuel Pereira
Participação:
Fernando Guerreiro
Canto Hondo -Tânia Cardoso e Rodrigo Crespo
A Feiticeira de OZ
Peça vencedora do concurso Nacional de Teatro da Fundação Inatel 2010
6 canções VENCEDORAS
Categorias Infantil e Juvenil(seleccionadas entre 47 composições oriundas de todo o país)
6 ARTISTAS convidados
António Carlos Coimbra
Alvaro Felix
António Serrano
Carla Lança
Quim Gouveia
Rui do Cabo
No átrio:
Coletiva de Artes Plásticas
Movimento Multicultural
Animação Infantil "Objectos mágicos" SerVivo - Espaço para o Desenvolvimento do Potencial Humano
RESERVAS DE BILHETES:
Céu Campos
Grupo de Animação e Teatro Espelho Mágico
965051347
265719598
CCD da Fundação Inatel
Sócio FPTA nº 39
Associação RNAJ
www.espelhomagico.pt
Se lhe falar em António Gonçalves da Silva, muito certamente você não saberá quem seja. Agora se lhe falar no Meirim setubalense, já é outra loiça… Pois o nosso Meirim, figura castiça e muito popular a alguns anos atrás aqui pela cidade da margem norte do Sado, conta hoje com 80 anos (“Sou escorpião, nasci a 17 de Novembro”), está há onze internado no Lar Paula Borba e, aquando de uma visita que lhe fizemos, abriu a tampa do seu baú das recordações e relembrou algumas “façanhas” que o celebrizaram e lhe deram lugar por direito próprio na galeria das personagens típicas, quase inesquecíveis, da nossa cidade, emparceirando na excentricidade, no humor brejeiro, no incomum, por vezes espalhafatoso, onde um toque de “loucura” alimentava gestos, atitudes e circunstâncias, com outros personagens, como o Zé Maluco, o Lamas, o Ervilha, só para citar alguns.
Meirim, cuja alcunha a deve ao “Bom Gigante” José Torres, futebolista e columbófilo já falecido, grande parte das vezes, quando um copito a mais o inspirava, imitava o treinador Meirim, em plena Praça de Bocage, dando instruções a uma irreal equipa, debaixo dos aplausos e incitamentos dos passantes (“o gozo era mais do que muito!”) e exemplificava passos e técnicas defensivas e ofensivas, numa mistura incrível que fazia rir a bom rir toda a gente.
Ficou célebre um relato de futebol, em antevisão, entre o Vitória Futebol Clube e o Belenenses, clube da sua paixão, para um auditório inexistente, que o nosso Meirim fez debaixo das janelas do antigo Hotel Esperança, local onde a equipa do Vitória Futebol Clube estagiava nas vésperas dos jogos, durante mais de uma hora e berrado a plenos pulmões, não deixando descansar ninguém. Farto da algazarra, o “padrinho” José Torres abriu uma janela e lá do alto veio uma cascata de água que caiu aos pés do “locutor”. Meirim nem se dignou interromper o relato. Continuou, avisando somente os “ouvintes” de que “começou mesmo agora a chover torrencialmente no Estádio do Restelo!” Estava demasiado inspirado.
Mas o episódio que lhe deu, infelizmente, mais notoriedade e que correu mundo fora, foi uma lamentável imprevidência ocorrida na área, não muito bem protegida, das instalações de um circo, onde se encontravam as jaulas, expostas à curiosidade das pessoas. Meirim, um pouco galvanizado, e não tendo ninguém que o impedisse, aproximou-se da jaula do leão e por entre as grades quis fazer-lhe uma festa na juba. A fera alçou a pata e esfacelou-lhe o braço direito o qual teve de ser amputado.
António Silva “Meirim”, “sempre solteiro, mas com alguns “arranjinhos”, sofreu há cerca de dois anos nova investida de outra fera, traiçoeira, letal e silenciosa: a diabetes, herança de família, que lhe provocou a amputação da perna esquerda, o mesmo tendo acontecido recentemente à sua única irmã, a quem lhe amputaram também uma perna.
Sem um braço e uma perna, deslocando-se em cadeira de rodas, Meirim não se deixou ir abaixo. Com uma força de vontade impressionante, um apego à vida fabuloso (“é a fibra do setubalense”, garante), Meirim é seguido e acarinhado pelos utentes e funcionárias do Lar onde está. E diz que está lá bem, que aquelas pessoas todas fazem parte da sua família, só denota alguma tristeza quando se lembra de alguns amigos que não vê… ou que não o vão ver.
O meu amigo de longa data, Meirim, faz parte da cultura e da história recente da nossa cidade. E também do nosso imaginário. Por isso, tendo em atenção a sua força de vontade, a sua perseverança, a sua capacidade de luta contra as vicissitudes e armadilhas da vida, lhe presto aqui uma singela homenagem!
(http://www.osetubalense.pt/noticia.asp?i
Restaurante BOQUINHAS, sito na Av. Luisa Todi. Não sei porquê, mas gosto bastinho deste nome...
Aproveitando a onda que se criou à volta da Loja Maçónica Mozart 49 e que invadiu jornais e cabecinhas parlamentares, este blog meteu eteceteras ao caminho e descobriu que em Setúbal existe, desde cerca de 1999, uma Loja que alberga diversos "irmãos" obedientes (não tantos como ao princípio, mas enfim...), imbuídos do sagrado lema de "Boquinhas ao Poder, Já!". Qualquer pessoa, desde o vira-casacas ao tontinho lá do bairro, passando por marialvas decadentes, equilibristas de olho aberto e ingénuos com a cartilha toda, todo o género tem lá lugar. Não garanto é que aqueça o lugar, tantos são os empurrões para passar à frente e os enredos telenovelescos que fazem parte do ritual ma-ça-ro-ca. Nesta Loja não se usam aventais, mas sim babetes descartáveis, oferta do maçaroca-mor aos iniciados. O nome da loja? LOJA BOQUINHAS 69...
A presidente da câmara de Setúbal fez passar, com a duração de 10 minutos, uma mensagem de natal, no intervalo dos filmes passados no cinema Charlot. E houve logo quem comentasse que tinha aberto o período pré-eleitoral autárquico...
O ETC & TAL atingiu hoje, cerca das 17,30h., a excecional marca de 300 mil visitantes, desde julho 2007. Agradecemos as visitas e a colaboração de todos os Amigos. E vamos continuar!!!
Faz hoje 9 anos que Aires de Carvalho, militante socialista da Secção do Barreiro, faleceu, vítima de acidente vascular cerebral. Contava 50 anos de idade.
Aires de Carvalho foi presidente da Comissão Política do Barreiro, presidente da Federação Distrital, vereador na câmara do Barreiro (1993/1997 e 1997/2011) e deputado da Assembleia da Republica.
Homem polémico e carismático, irreverente e lutador, muitas vezes contestado, militante de excecional dedicação e empenho, dedicou ao Barreiro e ao PS toda a sua vida. Aderiu ao PS em 1976 e foi fundador do núcleo do PS do Lavradio, terra de onde era natural. Por muitos considerado o "enfant terrible" do PS, Aires deixou história no Barreiro e no Partido Socialista e ainda hoje é recordado por muitos que tiveram o privilégio de o conhecer e com ele travar "duras batalhas políticas".
Carlos César, fundador, diretor, ator e encenador do Teatro Animação de Setúbal (TAS) faz a 10 de janeiro 11 anos que nos deixou. Faleceu, com 59 anos de idade, à porta do Hospital Universitário de Coimbra, devido a complicações cardíacas, a menos de um mês da data de fundação do TAS.
Participou como ator em várias telenovelas e séries televisivas, foi vereador da Cultura eleito nas listas do PS, na Câmara Municipal de Setúbal e foi homenageado por este município com a medalha da cultura.
Durante várias décadas marcou o panorama cultural de Setúbal e contribuiu para a descentralização do teatro português. Mata Cáceres, presidente da Câmara na altura, afirmou que "a melhor homenagem que lhe poderemos prestar é prosseguir todos com a Companhia de Teatro Animação de Setúbal, de que ele foi um dos fundadores".
O ETC & TAL recorda-os com saudade e amizade!
UM TEXTO ESCRITO HÁ ALGUNS ANOS, EM SUA HOMENAGEM
Um alentejano que escolheu Setúbal, estávamos em 1975, ainda se respirava, e bem, a revolução de Abril, e os sonhos, de braço dado com a utopia, faziam também desta cidade a sua cidade, tal qual o actor Carlos César fez. Conheci-o por essas alturas, mais tas, menos tas, era um gajo culto, inteligente e diligente, já com uma certa notabilidade, com gostos apimentados pela vida, perseguidor de caminhos que já o tinham empurrado para o Teatro Trindade, onde se estreou como actor, fazia, na época, figura na Companhia de Teatro D'Arte, de Lisboa, e também para Paris, em 1964, onde aguentou dez anos.
Conheci Carlos César por intermédio de um sujeito pseudo-actor, pequenino e de falas mansas, rabeta de fim-de-semana, raquete zinguezagueante na cultura citadina, enfeitado de intelectual e de músico, numa tasca de bifanas e de copos de tinto, numa tarde pachorrenta, pendurada entre a manhã e a noite. Falámos de pintura, de poesia, de passarinhos fritos em banha, do assalto democrático à Pide e à Legião Portuguesa, das calças à boca de sino, de música e, agora sim, bingo!, de Zeca Afonso. Inevitavelmente. Não ficámos amigos, nem deixámos de ficar. Éramos dois conhecidos, por vezes cúmplices quando nos víamos em bares não muito recomendáveis, assim para o rasqueiroso urbano, e foi num destes bares de bebedeiras certas depois da meia-noite que descobri que o Carlos César também era poeta. Poeta de escrever poesia. Era um segredo que guardava bem guardadinho, talvez o único segredo que tinha, os outros eram visíveis e menos importantes, não eram segredos.
Contou-me ele que tinha fundado, no regresso à Pátria, o Grupo de Teatro Oficina Português e de entre o seu colar de peças encenadas, tinha estima por uma pérola, um texto várias vezes censurado, de Luís de Sttau Monteiro, "Felizmente há Luar", levado pela sua mão e pela primeira vez aos palcos. E falava disto com prazer e gozo, gozo autêntico, sem água ou outra mistela a adulterar.
Durante os 25 anos que dirigiu o Teatro de Animação de Setúbal este homem da cultura e dos prazeres, autor, encenador, actor, autarca, soube fazer amigos e conseguiu formar uma geração de novos artistas, tendo tido uma relevante actividade na descentralização cultural e na reedificação do teatro na cidade de Setúbal. Tinha uma grande capacidade de conviver e tornou-se uma personalidade estimada na cidade e na região e nos meios culturais ao longo do País, o que não evitou algumas invejas de meia dúzia de papalvos com umbigos tamanho de um punico, mas que se apressaram a virar as agulhas após a sua morte. As críticas manhosas e as censuras de retrete deram lugar aos elogios e às avé-marias graciosas. É a roda, como diria um amigo meu.
Nada mais natural e justo do que a homenagem que hoje o Programa Arestas de Vento prestou ao Homem e ao Actor Carlos César, setubalense por opção da mente e do coração. Condição que eu gostaria de ver em muitos naturais da minha cidade do rio Sado.
Fernando Manuel Pereira
O 25 de Abril de 1974 tinha rebentado e logo desde o primeiro dia a população de Setúbal foi mobilizada, primeiro para apoiar o Movimento das Forças Armadas (MFA) e depois para reivindicar o direito a ser gente de corpo inteiro. Nos arrabaldes da cidade, escondido de olhares, um bairro de barracas, nascido clandestinamente durante a ditadura fascista, sem saneamento, recolha de lixo ou água potável, plantado num ponto elevado da serra da Arrábida, paredes meias com um forte militar abandonado, era habitado por pescadores e descarregadores de peixe, pedreiros, operários conserveiros…
Ricardo Silva, presidente da Associação de Moradores
Os seus habitantes eram desprezados e tinham colado o rótulo de antissociais, considerados os mais pobres dos pobres de Setúbal: o bairro de lata, conhecido por Castelo Velho ou Forte Velho, talvez um dos primeiros bairros da cidade a legalizar o estatuto de Associação de Moradores, em cartório notarial (e para a história fica os nomes dos fundadores: Adelino Abreu, Carlos Dias, Carlos Manuel, César Manuel, Eduardo Silva, Francisco Viegas e José Baptista), sem mínimas condições decentes de habitabilidade, viu os seus moradores exigirem o seu inquestionável direito a uma casa, promovendo, entre outras iniciativas, grandes manifestações frente à Câmara e ao Governo Civil tendo, na altura, conseguido mobilizar dezenas de moradores de outros bairros de lata da cidade, já que a luta era comum e com o apoio deste jornal, que se tinha assumido, no seu estatuto editorial, como porta-voz das lutas sociais.
Bairro Popular
Por volta de 1985, se a memória não me engana, o bairro do Castelo Velho desapareceu com o desmantelamento das barracas e ao lado nasceu a primeira fase de um conjunto de casas, dando assim início a um novo bairro com condições mais dignas e cujo nome, “O Grito do Povo”, penso ter sido sugerido pelo cantor revolucionário José Mário Branco, aquando de uma festa de solidariedade realizada no Pavilhão do Naval, a que também estiveram presentes os cantores Fausto e Tino Flores. Como pormenor curioso foram os seus moradores que escolheram o azul e branco, numa homenagem ao rio Sado, para cores oficiais do bairro.
Lixo e sucata na Rua Grito do Povo
A Associação dos Moradores do Castelo Velho, denominada “O Grito do Povo”, promoveu, ao longo destes anos, a construção de casas e melhorou substancialmente as condições de habitabilidade dos seus associados e tem procurado promover a difusão das vantagens da vida associativa e da cooperação, tendo conseguido manter uma absoluta neutralidade política e religiosa.
Esta associação é há 14 anos presidida por Ricardo Silva, uma figura muito conhecida na cidade, que continua a manter vivo o espírito que levou à fundação desta associação, batendo-se pelos mesmos ideais e pretensões e, segundo parece, com firmeza e coragem na “hora da luta”, quando é preciso defender os direitos dos moradores do bairro. E um dos direitos que os moradores de ”O Grito do Povo” consideram mais do que justo, é a limpeza dos espaços comuns, com o corte das ervas daninhas, que em certos pontos do bairro já vai se tornando um mato, a manutenção dos arranjos exteriores, asfaltamento de algumas vias e a criação de há muito prometida (“isto já vem do tempo do Mata Cáceres, quando era presidente!”) de um parque infantil com espaço de lazer, num terreno que corta a meio a rua Grito do Povo (que em certa zona merecia a intervenção imediata dos serviços de fiscalização do município, tal a quantidade de lixo e sucata acumulada em plena via pública!) e que poderia servir também os moradores de bairros vizinhos, nomeadamente os bairros dos Pescadores e da Reboreda.
A Rua Grito do Povo merecia uma valente varidela!
Esta velha aspiração, suportada por um projecto existente há muito tempo, está a mobilizar novamente a atenção dos habitantes que pretendem, por intermédio da sua associação, ver, num espaço de tempo aceitável, concretizada.
Ricardo Silva (na foto), ligado à cidade pelo casamento e pelos descendentes dá a cara pelo seu bairro e garante que esta velha aspiração é uma meta da actual direcção que gostaria de deixar para usufruto das gerações vindouras. E com ele, está, indubitavelmente, todos os mais de 200 habitantes do bairro “O Grito do Povo”!
(http://www.osetubalense.pt/noticia.asp?i
Este jovem falcão, talvez um dos melhores vereadores que o PS já teve no Município sadino, já foi diretor executivo da Fundação Res Publica (2009) e adjunto do Secretário de Estado Adjunto e da Administração Local (2005 a 2009). Pensamos ser um homem com muitas qualidades, políticas, sociais e culturais. Uma pessoa bem formada e informada.
JOSÉ LUÍS BARÃO
Pedro Santana Lopes, antigo e ineficaz 1º ministro e ex-líder do PSD, quando foi nomeado provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, levou consigo, pelo menos, três pessoas da sua confiança, entre elas o vereador do PSD na câmara de Setúbal, Paulo Calado, líder concelhio do PSD/Setúbal (já com algum cheirinho a mofo...), e agora recandidato ao cargo, para diretor de Regulação e Assuntos Europeus na Jogos Santa Casa. E o que é que isto tudo tem a ver com o meu amigo José Luís Barão? Bem, é que, segundo rumor que corre insistentemente nos mentideros social democratas cá da cidade, o José Luís Barão, socialista, teria aceitado um convite do Calado, social-democrata, seu colega na oposição camarária, para ingressar nos quadros da Santa Casa de Lisboa... A ser verdade, só lhe podemos desejar êxito nas suas novas funções...
Por falar em gamanço... Os amigos do alheio têm andado muito ocupados. Até as tampas destes contentores, e outros semelhantes espalhados pela cidade, não estão a salvo. Tem sido uma autêntica razia.
Cerca de 30 pessoas foram parar ao desemprego devido ao encerramento de 6 lojas (destas, 2 já tinham sido fechadas a algum tempo), da firma Rendas&Rendas, na baixa comercial de Setúbal. O motivo invocado foi a falta de liquidez... Agora, uma das lojas, O Ninho, sita na conhecida Rua dos Ourives, abriu e o seu recheio está a ser vendido ao desbarato. Os baixos preços, neste tempo de crise, têm atraído inúmeras pessoas, como mostra a foto acima, formando-se na rua grandes filas.
Avenida Jaime Cortesão, também conhecida por "avenida da GNR". Frente a esta, junto ao nº 144, um autêntico matagal tem vindo a ganhar o passeio e os transeuntes já têm dificuldade em passar sem baixarem a cabeça. E quando chove é um descomunal duche - isto quando não caiem em cima das pessoas ósgas e lagartixas... Será que a Câmara ou a Junta de Freguesia da zona, não poderia OBRIGAR o proprietário a cortar a "floresta"?
O pintor João Mendão, excelente artista contestatário, com vasta obra e inúmeras exposições, que já foi um sem-abrigo e que presentemente se encontra no limiar da pobreza, tendo sido acolhido por uma associação de solidariedade social, aqui a posar para um amigo retratista, em plena Praça de Bocage. Ao fundo, meio escondido, um dos melhores artesãos setubalenses, mais conhecido por "o homem das bicicletas".
Uns dos problemas mais espinhosos e profundos que actualmente as juntas de freguesia enfrentam em Setúbal é o da fome, da pobreza, da inanição e das desigualdades sociais dos seus fregueses. Esta preocupação, talvez devido à simbologia, aumenta sensivelmente na quadra natalícia. Estas situações de pobreza têm um impacto profundo que muitas vezes põe em movimento uma espiral de acentuada exclusão social, criando problemas na educação, saúde física e mental, emprego e interacção social. O aumento dos preços dos alimentos e da energia são adicionados a esta, o que vem afectar ainda mais as condições precárias de vida da população.
Com perfeito conhecimento deste drama, a Junta de Freguesia de Santa Maria da Graça desenvolveu, à semelhança do que fez nos últimos dois anos, diversas iniciativas a favor dos necessitados, com a ajuda de duas conhecidas superfícies comerciais e colaboração do Agrupamento de Escuteiros nº 415, da Associação de Socorros Mútuos Setubalenses, do Centro de Apoio aos Sem Abrigo (CASA), dos utentes do Centro Comunitário de Santa Maria, dos funcionários da própria junta e de cerca de cinquenta voluntários, a que se juntou boa parte dos moradores da freguesia que ofereceram e/ou angariaram produtos alimentares e participaram na sua entrega, todos sensibilizados para a importância do conceito da solidariedade, entendido como crucial na luta contra a pobreza.
Cerca de 150 cabazes “de Natal” com ajuda alimentar foram distribuídos nesta quadra de reflexão a idosos com reformas vergonhosas, a desempregados sem ou com baixos subsídios, obedecendo a escolha, este ano, ao critério de “entre os necessitados, ajudar quem mais é”, dar uma mão amiga ao segmento mais desfavorecido da população…
Segundo o presidente desta freguesia, a mais pequena e também a mais antiga da cidade, a sua opção política de preferência são os pobres, os carentes, os idosos, os necessitados e uma das suas prioridades, a par da desertificação da Baixa comercial e da sua visível degradação predial, a que ninguém parece desejar evitar, proprietários e entidades oficiais, e da segurança de pessoas e bens, assim como a segurança rodoviária e segurança dos peões, é o alívio da pobreza e auxílio às famílias mais necessitadas, não só nesta altura, mas ao longo de todo o ano.
Fernando Paulino, presidente da freguesia, é uma pessoa que lida diariamente com o fardo da pobreza e da exclusão e que não ignora estes tristes factos sociais. Daí ter desempenhado, num exercício de cidadania e respeito pela dignidade humana, um importante papel na fundação e organização do Centro Comunitário (situado mesmo junto ao edifício da Junta), suportado por trabalho voluntário e frequentado diariamente por dezenas de moradores, da Loja Amiga, onde quem precise pode ir buscar roupa e calçado, a funcionar nas instalações da Associação de Socorros Mútuos e aberta a todas as pessoas.
Uma iniciativa que atrai o interesse dos idosos da freguesia e integrada na actividade regular do Centro Comunitário, é a organização de excursões a diversas localidades e as visitas temáticas e culturais a museus nacionais.
Nesta freguesia onde se salvaguarda a dignidade humana e se promove o homem, a voz de todos é ouvida!
(http://www.osetubalense.pt/noticia.asp?i
Um artista setubalense, nascido na freguesia de S. Julião, que nos seus 77 anos continua jovem e dinâmico e a expôr a sua arte plástica um pouco por todo o País. Domina como poucos a técnica do óleo, pastel, carvão ou acrílico, o que faz dele um artista multifacetado. Fez a sua primeira mostra de trabalhos (coletiva) quando tinha 25 anos e está a preparar nova exposição, talvez em 2012. Somos amigos e fomos colegas em artes gráficas, ele na antiga fábrica "Litográfica", eu na "Litografia Sado", ambas há muito desaparecidas. Publicou agora um livro, "JOÃO GEADA - Princípio da Litografia, Uma vida dedicada às Artes", dedicado à sua mulher, Margarida, e a todos os seus Amigos, onde relata a sua atividade profissional e artística, através de fotografias e documentos. Um saboroso livro a não perder!
Árvores de natal e tarjas pintadas de negro - foi assim que os estudantes do ensino superior (IPS), reivindicaram mais e céleres apoios do Estado ao ensino superior. Esta acção pública, integrada num conjunto de outras congéneres a nível nacional, teve lugar na Praça de Bocage, em Setúbal.
Um poema com 26 anos, da autoria do Poeta setubalense Victor Serra, recentemente falecido, escrito em fins de dezembro de 1985, e dedicado a um Amigo:
POEMA DE VICTOR SERRA
Para o Fernando Pereira, um amigo
Cabemos em cada cidade
E mergulhámos em cada bica
Bebida duma afronta não desejada
Trespassamos as noitadas
De paleio e discussão
E construímos uma nova
Maneira de viver.
Victor Serra
1985







ETC e TAL
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